Quantas vezes em nossas vidas escolhemos calar o órgão que nos faz humanos de verdade? É incrível, mas quanto mais os dias passam, mais somos “ensinados” pela vida, pelo mundo e pela mídia em geral, a sermos o mais racional possível. Dizem que é uma estratégia de sobrevivência, principalmente num mundo onde o capitalismo impera, e onde aprendemos juntos com o Tio Sam, que “time is money”…
Não vou discordar do tão “sábio” Tio Sam, mas num mundo tão vazio de sentimentos, o que nos difere de máquinas? Já parou pra pensar que a cada dia que caminhamos um passo à frente na tecnologia, damos um passo pra trás nos sentimentos? Creio que várias empresas pelo mundo inteiro sonham em substituir empregados por robôs, e sem percebermos, caminhamos com nossos próprios pés, para sermos andróides, e tudo isso porque esquecemos a cada dia de usarmos nossos sentimentos.
Há quanto tempo você sufoca tudo aquilo que seu coração quer colocar pra fora? Há quanto tempo seu coração não acelera as batidas por um novo amor, ou até pelo mesmo amor, que parece ter ficado empoeirado? Há quanto tempo ele não murcha, e quase sufoca seu peito, derramando durante toda a noite lágrimas de tristeza, decepção, solidão?
Um de nossos maiores erros na vida, é quando tentamos bancar os fortes, frios, e maduros o suficientes, para não chorar diante de uma situação difícil, ou quando deixamos de pular de alegria, gritar, e dar gargalhadas diante de uma situação feliz, por medo dos outros que presenciarem isso, acharem cafona, sem nexo.
Que se danem as “regras da sociedade”, e todas as hipocrisias que presenciamos nela, porque o que eu mais quero nessa vida, é ser um humano completo: com meus defeitos, com minhas qualidades, e com tudo o que vou conseguindo colher pelo caminho ao fazer minhas escolhas. Não quero fazer parte dessa massa que acha de bom senso, não chorar vendo um filme, ou não chorar de tanto rir diante de algo engraçado.
Vou extravasar meus sentimentos, vou viver intensamente cada momento, e o que eu não conseguir realizar em minha vida, pelo menos vou poder dizer que tentei, e inúmeras vezes, porque sou teimoso. E porque sou humano, e também porque deixo meu coração falar mais alto…
Thiago de Oliveira
(Publicado no jornal “A Voz da Serra”, em 14 de outubro de 2006)